Vamos tatuar?

VAMOS TATUAR?
As pessoas ainda têm preconceito com quem tem tatuagem

PARCEIROS

(ARTIGO) Por Victor Gale

As marcas de tinta na pele fazem parte da história da humanidade. Vestígios arqueológicos mostram que as tatuagens fazem parte da vida cotidiana desde os tempos do Antigo Egito, onde escravos eram marcados com um número de identificação. Múmias com esse tipo de inscrição trouxeram um novo rumo à biografia da tatuagem. Desenhos e dizeres também foram encontrados em forma de culto religioso em outras partes do planeta, como Nova Zelândia com os povos Maoris, Polinésia, Indonésia e Filipinas.

Os desenhos ocidentais surgiram nos Estados Unidos entre os anos de 1920 e 1940, os adeptos deste novo conceito eram marinheiros, fuzileiros navais, piratas e rebeldes, que rapidamente foram marginalizados e fizeram com que essa nova arte fosse mal vista pela sociedade. 

A marginalização das tatuagens foi ficando cada vez menor, mas vale ressalvar que ela nunca deixou de existir. Os desenhos pintados na pele se tornaram moda nos anos 80 e 90, e hoje são vistos como uma forma de arte bonita em vários cantos do mundo.

 

Ilustração: Sheila Baum.

Tatuagem como pedido de socorro

 Mas não vamos nos enganar pensando que o preconceito está morto e enterrado. As pessoas ainda têm preconceito com quem tem tatuagem. Segundo uma pesquisa comportamental sobre os tatuados brasileiros, realizada pelo Tattoo2me, em março de 2018, com 5.390 pessoas, apontou que 57,96% dos entrevistados afirmam ter sofrido algum tipo de preconceito por terem tatuagem. Desses, 73,89% dizem ter sofrido preconceito dentro da própria família e apenas 22,26% sofreram algum tipo de preconceito no ambiente de trabalho.

Esses dados ainda são muitos altos, e revelam que o preconceito ainda continua na ativa, mas de maneira mais velada. A pesquisa, também, revelou que as regiões com maior taxa de preconceito são os estados do Nordeste e Centro-Oeste brasileiro. Já os estados com menores taxas de preconceito são os do Sul e Sudeste do país.

Ter uma ou mais tatuagens não é sinônimo de falta de caráter ou adoração ao mundo das trevas. Há tatuagens que podem sim salvar uma pessoa. Um ótimo exemplo disso são indivíduos que têm algum tipo de alergia ou doença, e fazem um desenho visível no corpo para sinalizar que, se elas passem mal ou desmaie na rua, o símbolo ajudará os socorristas na hora do atendimento com mais facilidade. Mas não só isso, os desenhos na pele podem simbolizar vitórias, saudades, e contam histórias da vida e dos gostos de cada indivíduo. 

A eliminação dos preconceitos humanos está longe de cessar. Os medos e a falta de conhecimento de todos acarretam no preconceito e isso gera sofrimento. O papel de cada um é simplesmente ser, viver por sua felicidade e evitar ao máximo julgar o próximo. E quando estiver no lado de quem está sendo julgado, tentar não abater-se. 

Então, vamos tatuar?

FORMAÇÕES: jornalismo e hotelaria e turismo. 
“Com certeza sou um cidadão do mundo, já perambulei por todos os continentes. Atualmente, vivo em Paris.
Tenho grande paixão por moda e arte no geral. Artistas favoritos: Gustav Klimt, Yves Saint Laurent, Vinicius de Morais e Lady Gaga. Ah! Sempre choro assistindo Titanic, mesmo já conhecendo o filme de cor e salteado! Como filosofia de vida, tenho a música “Sim” da cantora Sandy.”
Victor Gale, em Paris, sua atual morada.

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