Réveillon: você sabe quando e onde surgiu o termo?

Um dos primeiros lugares que foram realizados Réveillons no país, foi na corte de dom Pedro 2º, no século XIX. Foto: Kohji Asakawa por Pixabay

Por Sheila Baum

Post 30/12/2019

Chega o dia 31 de dezembro. É noite de Réveillon. Os brasileiros colocam suas roupas brancas, separam às folhas de louro, deixam à mão suas fitinhas do bonfim. Simpatias que são realizadas na esperança de que o ano que está para chegar venha com bastante proteção, saúde e boas energias. São tantas crenças com a cara do Brasil, que até parece que essa grande festa no final do ano, comemorada em muitas partes do mundo, surgiu aqui.

A origem da expressão “Réveillon”, que se refere a festa de véspera de virada de ano, nasceu em terras francesas, no século XVII, e dava o nome aos longos festejos noturnas da nobreza, que eram regados de bebidas e comidas. Festas essas, que não tinham datas fixas. Porém, com a queda da dobreza, e ao passar do tempo, o termo foi mudando para o conhecido “Ano-Novo”.

Dados do Conselho Federal de Medicina apontam que o artefato causa 10 mortes e deixa 500 feridos todos os anos no Brasil. Foto: Steen Møller Laursen por Pixabay.

Há quatro mil já se festejava

O ano em que foi aderida a passagem do dia 31 de dezembro para o 1º de janeiro, foi em 1582. Mas, antes disso, há quatro mil anos, o povo da Mesopotâmia, território que hoje corresponde a Iraque, Síria, Turquia e Kuwait, já festejava. Só que, a princípio, a comemoração não era de passagem de ano, e sim de uma estação de ano para a outra.

Já que a população sobrevivia da agricultura e dependia das colheitas para sobreviver, o fim do inverno e o início da primavera era visto como motivo de alegria, pois podia-se dar começo a uma nova plantação. Data comemorada no dia 22 para o 23 de março.

Há 4 mil anos se pedia alimento e fartura. Nos dias de hoje, no Ano-Novo, ainda se pede que nunca falte alimento na mesa. Nessa questão, nada mudou. A esperança sempre esteve presente nas viradas de ciclos, seja da estação ou da virada do ano.

"O Réveillon chinês se inicia no primeiro dia em que a lua está na fase nova. Em 2020, o início do ano ocorre em 25 de janeiro e encerra em 11 de fevereiro de 2021", de acordo o site Calendarr. Foto: Pexels por Pixabay

Réveillon no Brasil

Um dos primeiros lugares a ser comemorado uma festa de Réveillon no país, do mesmo modo como era na França, foi na corte de dom Pedro 2º, no século XIX. Contudo, com o passar do tempo, devido a questões culturais do passado histórico do país, como o sincretismo religioso – mistura de duas ou mais religiões diferentes, o Ano-Novo acabou tendo algumas mudanças. Passou a acontecer em data fixa, e recebeu um toque “abrasileirado”.

No jantar antes da meia-noite, é costume comer lentilhas, tradição italiana, e o bacalhau, refeição de origem portuguesa.

Bem como na vestimenta. Ao almejar paz, a cor da roupa escolhida por grande parte do brasileiros é a branca, costume vindo da África, juntamente com a ação de jogar flores para Iemanjá – divindade africana, a Rainha do Mar. Há quem goste de usar a cor amarela (fortuna), a vermelha (amor), a verde (esperança) e, claro, têm os que não se prendem a isso. 

Há, também, as mandingas, que são muitas e bastante praticadas. O pular das sete ondas, é um hábito que vem desde os gregos, com o intuito de “recarregar baterias”. Os que guardam sementes de uva querem fortuna, simpatia essa que foi trazida pelos vinicultores portugueses. Aqueles que comem lentilha, por sua vez, esperam um ano com mais fartura, hábito adquirido dos italianos.

As crenças são inúmeras. E com elas, a cada contar de segundos até a meia-noite do último dia do ano, milhares de pedidos são lançados ao universo. Muitos deles acabam não se realizando outros sim.

Ano-Novo, cada um comemora do seu jeito

Há quem diga que a data do Ano-Novo é só mais uma data igual aos outros dias. Não acreditam em simpatias, e não fazem questão de brindar. Simplesmente esperam tudo passar. Afinal, no dia seguinte, tudo voltará ao seu normal.

Existem os que começam a comemorar bem antes da meia-noite e só terminam no outro dia. Acreditam em todas as simpatias. E, no momento de todo o festejar, abraçam desconhecidos, pedem por um ano melhor e fazem muitas promessas. É um dos momentos mais esperados do ano. Acontecem brindes e mais brindes.

Por outro lado, têm pessoas que preferem passar o ano sem comemoração. No lugar de assistir longos minutos de fogos, optam por passar em silêncio.

Cada um escolhe a melhor forma de dizer adeus ao ano velho. Não é mesmo?

Mas é preciso ter consciência de que uns irão passar felizes outros nem tanto. Há muitas coisas acontecendo no nosso país.

O ano fecha com aumento de milionário e de desemprego no Brasil

O número de milionários no Brasil chegou a 259 mil, um aumento de 19,35% se compararmos com o ano de 2018, na qual eram 217 mil milionários. Os dados são do Global Wealth Report, publicação anual do Credit Suisse Research Institute sobre a riqueza em todo o mundo. Os valores avaliados são em dólares. Entra na classificação quem tem patrimônio acima de US$ 1 milhão. 

No entanto, o ano encerra com mais de 12,569 milhões de brasileiros desempregados. 

“São, aproximadamente, trezentos e setenta e quatro mil pessoas a mais sem emprego no país do que no encerramento do ano anterior”, segundo dados da Pnad Contínua do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Feliz ano para alguns. No entanto, para outros…

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