Profissões que desapareceram e outras que ainda resistem

Profissões que desapareceram e outras que ainda resistem

Sheila Baum

17 FEV 2020

Séc. XX, Rio de Janeiro, capital do Brasil, na época (1763-1960), e São Paulo, outra potência econômica do país. Duas cidades lindas e de grande comércio. Porém, com o passar do tempo, profissões, muito comuns naquele tempo, foram se modificando ou se extinguindo. Poucas resistiram.

Imagine que, ao caminhar pelas ruas, podia-se ver, parado em uma esquina, na calçada ou no canto da rua; parado ao lado de um aparato enorme de madeira e pedra, uma pessoa esperando alguém que precisasse amolar fosse uma faca, uma tesoura. Nos dias de hoje, ainda é bem comum encontrar um amolador (a) por aí, mas, possivelmente, a clientela deva ser bem mais reduzida.

O mesmo cliente que esperava o seu utensílio ficar afiado e todas as pessoas ao redor, ouviam, claramente, os meninos que, com jornais nas mãos, gritavam as notícias nas ruas para atrair clientes. Esses meninos eram chamados de jornaleiros. Contudo, essa profissão durou até a chegada dos quiosques de rua, que vendiam diversos produtos, como jornais, bebidas, bilhetes de loteria e cigarros.

Entre o passar das pessoas nas ruas, paradas em quiosques – começaram a desaparecer a partir de 1903, por conta de obras de reurbanização da cidade –, era possível ver homens andando com cestos na cabeça, e dentro deles, mercadorias recolhidas nas casas das pessoas para reaproveitamento. No topo de seus corpos, eles levavam garrafas de vidro, nos seus diversos tamanhos e modelos, que eram comercializadas diversas vezes. O descarte era mais demorado. Os garrafeiros eram grandes recicladores.

As vendas nas ruas ocorriam aos montes. Vendia-se de tudo. Os vendedores se instalavam em algum canto da calçada, e faziam suas negociações. Vendia-se flores, artigos religiosos, comidas, roupas, acessórios, vassouras, cestos de vime, espanadores, amendoim. Esses, os ambulantes, resistiram. E estão por ai, em cada cantinho do Brasil.

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Outras profissões que não se encerraram e que ainda mantem o mesmo modo de atendimento, são: sapateiro e engraxate, ambos levam seu carrinho de madeira até a sua clientela, principalmente, os que usam terno e gravata.

Homens usando seus chapéus, camisas bem passadas, ternos bem alinhados, sapatos bem lustrados; mulheres usando vestidos longos com rendas e babados. Muita elegância e postura. As vitrines das lojas encham os olhos de quem passava. As fachadas eram repletas de letreiros comerciais. A cultura europeia estava em todos os cantos: comportamento, construções, vestimentas e gostos pela arte.

Juntamente com as mudanças, em geral, da população, pode-se acrescentar outra, a ideia de consumir um produto ou melhor, ter acesso a ele. Hoje, quando precisamos de qualquer produto para consumo alimentício, vamos ao mercado ou até à padaria. Temos tudo nas mãos, basta ir até o estabelecimento, escolher, colocar na cesta, no carinho e se dirigir à fila de pagamento. Mas quando falamos de leite, e vamos para o começo do séc. XX, as coisas eram diferentes. O leite, por meio de um leiteiro, que chegava com o seu carro lotado de engradas de vido, era entregue na porta da casa das pessoas.

Muitas coisas mudaram, num período de cem anos. Profissões se acabaram, outras novas surgiram e algumas ainda resistem, modificadas, mas ainda estão por ai.

Como será daqui outros cem anos?

Fonte: coleção Folha fotos antigas do Brasil. COMÉRCIO do mascate ao mercado.

E-mail: contatojornalconatus@gmail.com

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