Marquesa de Santos sofreu agressões e perdeu sete filhos

Marquesa de Santos sofreu agressões e perdeu sete filhos

Nos seus últimos anos de vida, abrindo as portas da sua própria casa, a marquesa realizou reuniões beneficentes voltadas para prostitutas e mães solteiras

SHEILA BAUM 

20 JAN 2020

Marquesa de Santos pouco antes de sua morte. Foto: Militão Augusto de Azevedo - Museu Paulista/ USP.

Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos, teve uma vida conflituosa e triste. Com apenas 15 anos, em 1813, casou-se com o mineiro alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça (1789–1833). Com ele teve três filhos, na qual só dois sobreviveram. Em 1916 ela se separou, pois sofria diversas agressões do seu companheiro. Um relacionamento bastante tenso, já que Mendonça era conhecido como um homem violento, que a espancava e violentava.

Com o término, a marquesa saiu de Minas Gerais e voltou para São Paulo, sua cidade natal – que, no dia 25 de janeiro, completará 466 anos. Dois anos mais tarde, o militar, arrependido dos feitos, mudou-se para São Paulo e a conquistou novamente. Após um ano de reconciliação, Domitila sofreu uma tentativa de assassinato. Seu marido a esfaqueou duas vezes, uma na coxa e outra na barriga. Ela ficou entre a vida e a morte, e ele foi preso.

Após dois meses de luta para sobreviver, ela teve que dar início a outra batalha, não perder os seus filhos para os pais do seu ex-marido. Luta essa que foi em vão. O caminho foi tão tortuoso, que sua separação só foi concedida pelo o seu marido cinco anos depois, em 1824.  

Uma parte da história de vida da marquesa, não a total: amante do imperador

Em 1822, ainda buscando sua separação do militar Felício Pito Coelho de Mendonça, homem que a agrediu por anos, Domitila conheceu o imperador dom Pedro l (1798- 1834) duas semanas antes de ele proclamar a independência do Brasil, em 7 de setembro, nas margens do Rio Ipiranga, que mais tarde a nomearia de marquesa de Santos. A partir deste ano, eles passaram a ter um caso – era mais uma que caía na “lábia” de dom Pedro, um homem mulherengo que nunca respeitou sua esposa, a imperatriz Maria Leopoldina de Áustria (1797-1826).

Em um ano, dom Pedro I instalou Domitila e toda a sua família perto da residência oficial, o Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro – hoje é o Museu Nacional, que em setembro de 2018 teve grande parte do seu acervo destruído por conta de um incêndio.

De péssima fama, dom Pedro l (Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon) mantinha inúmeras mulheres ao mesmo tempo. Casado com Leopoldina, mantendo sua relação com a marquesa e outras mulheres, ainda teve um caso com a irmã da marquesa, Maria Bendita de Castro Pereira, na qual tiveram um filho juntos.

Quando a imperatriz faleceu, em 1826, a marquesa de Santos esperava que o imperador a reconhecesse como sua esposa, porém, em 1929, ele a largou para casar-se com Amélia de Leuchtenberg (1812-1873).

“Com a marquesa de Santos Dom Pedro teve cinco filhos: um menino natimorto (1823), Isabel Maria de Alcântara Brasileira (1824), futura duquesa de Goiás, Pedro de Alcântara Brasileiro (1825-1826), falecido antes de completar um ano, Maria Isabel Alcântara Brasileira (1827), duquesa do Ceará, que faleceu com poucos meses de idade, Maria Isabel Alcântara Brasileira (1827), duquesa do Ceará, e Maria Isabel II Alcântara Brasileira (1830-1896) condessa de Iguaçu, por seu casamento com Pedro Caldeira Brant. Ela seria reconhecida apenas às vésperas da morte”, de acordo com a divulgação do site da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

"Em 1909, o imóvel foi adquirido pela The São Paulo Gaz Company, que nele instalou o seu escritório. Para adaptar-se ao novo uso, a casa passou por diversas modificações e ampliações: foram demolidas paredes de taipa de pilão e janelas e portas, transformadas em vitrines", segundo o site do MCSP. Foto: Sheila Baum.

“Solar da Marquesa de Santos”

Com o término, ela e suas filhas, que teve com D. Pedro, mudaram-se de volta para São Paulo. Ao chegar, comprou um casarão na região da Sé, na antiga Rua do Carmo, hoje chamada de Rua Roberto Simonsen. Pouco mais de quatro anos, a Marquesa de Santos conheceu Rafael Tobias de Aguiar (1794-1857), brigadeiro, político e rico fazendeiro – hoje, Tobias dá nome ao 1º Batalhão da Polícia de Choque de São Paulo, a famosa Rota, que é: Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar.

Dessa união, que durou 24 anos até a morte de Tobias, eles tiveram seis filhos mas só quatro sobreviveram. Durante os dez seguintes, após ficar viúva, dedicou-se a obras de caridade. A marquesa mantinha uma associação de apoio a prostitutas e mães solteiras, além de saraus literários.

A marquesa de Santos faleceu em São Paulo, no dia 3 de novembro de 1867. Hoje, a casa que viveu até os seus últimos dias de vida é um patrimônio histórico da cidade. O local, “Solar da Marquesa de Santos”, deu lugar ao Museu da Cidade de São Paulo- MCSP. 

A marquesa de Santos foi rejeitada pela sociedade conservadora, sofreu violências físicas, passou por sete lutos, mas somente é lembrada por ter sido amante de dom Pedro l, um homem que tinha como normalidade conquistar as belas mulheres da época.

E-Mail: contatojornalconatus@gmail.com

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